Contratação de Serviços em Data Center
Overview das Características Essenciais

Secretaria de Governo

DO ESTADO DE SÃO PAULO


SUMÁRIO

1       Resumo............................................................................................................................ 3

2       Introdução........................................................................................................................ 5

3       Tipos de data center....................................................................................................... 5

3.1      Tier I – Infraestrutura básica de site........................................................................ 6

3.2      Tier II – Componentes redundantes de capacidade de infraestrutura de site......... 7

3.3      Tier III – Infraestrutura de site concurrently maintainable....................................... 7

3.4      Tier IV – Infraestrutura de site fault tolerant............................................................. 8

4       Tipos de serviços de data center.................................................................................. 8

4.1      Colocation................................................................................................................ 8

4.2      Hospedagem............................................................................................................ 9

4.3      Vantagens e desvantagens de cada modelo......................................................... 10

4.4      Especificações típicas de serviços de colocation................................................. 11

4.5      Especificações típicas de serviços de hospedagem............................................. 13

4.6      Provedores de data center atuantes no Brasil....................................................... 15

5       Conclusões e considerações finais............................................................................ 16

6       Referência bibliográfica............................................................................................... 16

 


1       Resumo

Este relatório é parte integrante do Contrato nº: 014/2013, Processo SGP 48456/2013, celebrado entre a Secretaria de Governo do Governo do Estado de São Paulo – SGP – e o CPqD.

O objetivo deste plano de trabalho é a realização de estudos de mercado com opções de contratação de data center para serviços não críticos de forma que os preços de hospedagem de sítios e sistemas web sejam competitivos.

Esses estudos têm por objetivo fornecer subsídios para a criação de um guia de melhores práticas para a contratação de serviços de data center que será utilizado pelos órgãos do Estado.

Este documento consolida os resultados da Atividade 1, trazendo as características essenciais de empresas de data center, incluindo os tipos de serviço prestado e suas características.

Atualmente, a categorização mais empregada para se diferenciar data centers é aquela proposta pelo The Uptime Institute [1], que os classifica em Tiers que vão de I a IV, conforme o grau de serviço que são capazes de entregar. Maiores índices de disponibilidade são atingidos à custa de redundâncias cada vez maiores, obtidas por meio de investimentos e custos de operação crescentes, os quais se projetam nos preços cobrados de seus clientes.

A Tabela 1 apresenta sinteticamente alguns números em função do Tier em que se enquadra determinado data center. Data centers que não se enquadram em nenhuma das categorias apresentadas são considerados como estrutura não classificada ou não garantida.

Tabela 1 Comparação de especificações entre Tiers[2]

Requisito

Tier I

Tier II

Tier III

Tier IV

Número de caminhos de distribuição

1

1

1 Ativo e 1 Passivo

2 Ativo

Componentes redundantes

N

N + 1

N + 1

2 (N+1)

Tempo de indisponibilidade no ano

28,8 hrs

22,0 hrs

1,6 hrs

0,4 hrs

Disponibilidade do site

99,671%

99,749%

99,982%

99,995%

Data centers fornecem basicamente dois tipos de serviços: hospedagem, comumente designados por seu nome em inglês, hosting, e colocation. Independentemente de nomes comerciais (ou fantasia), ambos os serviços são oferecidos de modo gerenciado. Em outras palavras, o provedor fornece, além de uma determinada capacidade, espaço físico, o gerenciamento do ambiente do contratante.

A modalidade colocation compreende o armazenamento dos equipamentos, servidores (com respectivas aplicações) nas dependências físicas do data center. Com isso, o contratante passa a contar com infraestrutura que visa garantir a segurança física, conectividade, climatização e suprimento ininterrupto de energia elétrica, estabilizada e redundante.

Já na modalidade de hospedagem, além de prover ambiente adequado para implantação de equipamentos de telecomunicações e tecnologia da informação, com confiabilidade, redundância, refrigeração, alimentação e segurança, o provedor também fornece os servidores (ou parte deles) para o contratante.

A maior vantagem desse modelo de contratação é o investimento inicial, virtualmente nulo. A contratante não tem que se preocupar com peças sobressalentes para manutenção do parque de hardware. No limite, troca-se CAPEX por OPEX[3].

A despeito de ambas as modalidades serem fundamentalmente formas distintas de terceirização de atividades de suporte, há casos em que uma é mais adequada que a outra.

Exemplo disso ocorre quando o cliente tem a necessidade de hospedar conteúdo sensível. E aqui, entenda-se não conteúdo ilegal, mas sim informações que, pela sua natureza, não devem sair do controle de quem as detém. Pode haver uma infinidade de razões para isso, mas quando aplicável, essa restrição mostra que é mais adequado optar pelo modelo em colocation.

Por outro lado, se a contratante não dispõe de todo o hardware necessário, ao menos para as demandas relativamente próximas, e não há disponibilidade de capital para fazer frente aos investimentos necessários com a ampliação do parque, então fará mais sentido contratar uma solução do tipo “one-stop-shop” com um provedor.

Paradoxalmente, o que hoje pode ser o modelo mais adequado à organização pode mudar em função do tempo e do crescimento do negócio. Se a infraestrutura necessária à operação do negócio da contratante atingir um determinado tamanho de operação, terceirizar essa atividade pode deixar de ser interessante, tanto numa ótica de eficiência operacional, quanto numa ótica de razoabilidade de custos. Nesse caso, construir seu próprio data center pode ser a solução mais adequada, internalizando novamente uma infraestrutura que eventualmente esteja sob operação de um terceiro.

Seja como for, o contratante deve responder a uma pergunta inicial antes de qualquer tomada de decisão: sua organização está pronta ou deseja transferir para um terceiro algum grau de controle sobre sua infraestrutura de TI? Se a resposta para essa pergunta for negativa, nenhum modelo é adequado.

 


2       Introdução

O objetivo deste plano de trabalho é a realização de estudos de mercado com opções de contratação de data center para serviços não críticos de forma que os preços de hospedagem de sítios e sistemas web sejam competitivos.

Esses estudos têm por objetivo fornecer subsídios para a criação de um guia de melhores práticas para a contratação de serviços de data center que será utilizado pelos órgãos do Estado.

Este relatório consolida os resultados da Atividade 1, trazendo as características essenciais de empresas de data center, incluindo os tipos de serviço prestado e suas características.

A seção 3 descreve os diversos tipos de data center, classificados conforme sua robustez, ao passo que a seção 4 traz um breve descritivo dos serviços que estes data centers ofertam; a seção 5 apresenta as considerações finais deste documento.

3       Tipos de data center

Diversas normas regem o desenho, implantação e operação de data centers. Para análise de infraestrutura de ambiente de hospedagem de elementos de tecnologia da informação aplicam-se, em particular, os padrões de referência descritos na norma ANSI/TIA 942, que indica requisitos que vão desde a construção até a ativação do data center. Entretanto, essa norma se relaciona diretamente com outras igualmente importantes:

Conforme estabelecido na norma ANSI/TIA 942, os data centers apresentam as áreas funcionais ilustradas na Figura 1.

Figura 1 Áreas funcionais de um data center conforme norma ANSI/TIA 942

Essas áreas correspondem a:

Atualmente se aplica o conceito de Tiers desenvolvido pelo The Uptime Institute para a classificação de data centers. Para tanto, avaliam-se aspectos relacionados a

A norma ANSI/TIA-942 estabelece nomenclaturas para as definições da redundância dos data centers, da seguinte maneira:

Assim, os data centers são categorizados em quatro níveis, ou tiers, descritos nas subseções a seguir[4].

3.1      Tier I – Infraestrutura básica de site

Conforme a classificação do Uptime Institute, o data center básico Tier I não possui elementos redundantes, além de apresentar um único caminho para atendimento do ambiente crítico. Em outras palavras, não existe redundância nas rotas físicas e lógicas.

Além disso, o site conta com UPS[5] capaz de filtrar picos, e manter a alimentação de energia em caso de paradas momentâneas de fornecimento, bem como equipamentos de refrigeração dedicados. Conta também com grupo motor gerador com o equivalente a doze horas de armazenamento de combustível local.

Em função de não dispor de redundância, mesmo paradas planejadas para execução de trabalhos no site ocasionarão a interrupção parcial ou total da operação, afetando o ambiente crítico, os sistemas e os usuários finais.

Potenciais pontos de falha dessa categoria de site incluem[6]:

Mesmo com as limitações acima elencadas, data centers categoria Tier I possuem uma disponibilidade de 99.671%, estando sujeitos a um downtime[7] de 28,8 horas/ano.

3.2      Tier II – Componentes redundantes de capacidade de infraestrutura de site

Segundo o Uptime Institute, data centers categoria Tier II possuem elementos redundantes para geração de energia, módulos UPS e armazenamento de energia, refrigeração e dissipação de calor, bem como tanques de combustível. Apesar disso, dispõe de apenas um caminho para distribuição para atender ao ambiente crítico.

Adicionalmente, a presença de elementos redundantes tanto da operadora de telecomunicações quanto do próprio data center, permite que se realize intervenções para manutenção preventiva sem que para isso haja necessidade de se desligar qualquer ambiente crítico, o que contribui para o aumento da disponibilidade do site, que chega a 99.749%, com um downtime de 22 horas/ano.

Potenciais pontos de falha dessa categoria de site incluem falhas no sistema de refrigeração ou de energia que podem ocasionar falhas nos outros componentes do Data Center.

3.3      Tier III – Infraestrutura de site concurrently maintainable[8]

Um site categoria Tier III deve contar com elementos redundantes de capacidade, bem como diversos caminhos para se atender ao ambiente crítico, independentes, de tal forma que apenas um seja necessário a qualquer momento.

Além disso, um Data Center Tier III deve ser atendido por no mínimo duas empresas de telecomunicações, por rotas distintas. Deve conter também duas ER com no mínimo 20 metros de separação, e projetadas de tal forma que não compartilhem equipamentos de telecomunicações, alimentação, refrigeração e proteção contra incêndios.

Nesse tipo de site, somente um evento critico na MDA e HDA irá interromper os serviços do data center, possuindo uma disponibilidade de 99.982%, e um downtime de 1,6 horas/ano.

3.4      Tier IV – Infraestrutura de site fault tolerant[9]

Finalmente, para um data center com alta tolerância a falhas o Uptime Instituto estabelece que todo o cabeamento seja redundante (e protegido por dutos fechados), bem como todos os equipamentos ativos, quer sejam da operadora de telecomunicações quer sejam do data center. Além disso, nessa configuração o data center deve ser atendido por duas empresas distintas, a partir de diferentes subestações para redundância.

Adicionalmente, toda a redundância é fornecida em ambientes fisicamente isolados. Esse conjunto de medidas garante ao data center Tier IV uma disponibilidade de 99.995%, e um downtime de apenas 0,4horas/ano.

O quadro sinóptico ilustrado na Tabela 1 sintetiza os requisitos necessários para cada categoria descrita anteriormente.

Tabela 2 Comparação de especificações entre Tiers[10]

Requisito

Tier I

Tier II

Tier III

Tier IV

Número de caminhos de distribuição

1

1

1 Ativo e 1 Passivo

2 Ativo

Componentes redundantes

N

N + 1

N + 1

2 (N+1)

Tempo de indisponibilidade no ano

28,8 hrs

22,0 hrs

1,6 hrs

0,4 hrs

Disponibilidade do site

99,671%

99,749%

99,982%

99,995%

Cabe ressaltar que data centers que não se enquadram em nenhuma das categorias apresentadas são considerados como estrutura não classificada ou não garantida.

4       Tipos de serviços de data center

Existem basicamente dois tipos de serviços fornecidos por data centers: hospedagem, comumente designados por seu nome em inglês, hosting, e colocation. Independentemente de nomes comerciais (ou fantasia), ambos os serviços são oferecidos de modo gerenciado. Em outras palavras, o provedor fornece, além de uma determinada capacidade, espaço físico etc, o gerenciamento do ambiente do contratante.

Assim, para ambas as modalidades de serviço, o provedor fará o backup periódico, controlará o acesso aos equipamentos (fornecidos por ele ou pelo cliente, conforme a modalidade) etc.

As subseções a seguir descrevem brevemente os dois tipos de serviços. Ao final, acrescenta-se uma tabela com diversos exemplos de provedores desses serviços, localizados no Brasil.

4.1      Colocation

Essa modalidade compreende o armazenamento dos equipamentos, servidores (com respectivas aplicações) nas dependências físicas do data center. Com isso, o contratante passa a contar com infraestrutura que visa garantir a segurança física, conectividade, climatização e suprimento ininterrupto de energia elétrica, estabilizada e redundante.

Essa modalidade de serviço vem sendo adotada em muitas empresas por apresentar uma relação custo benefício interessante, uma vez que insumos que seriam integralmente suportados pela contratante são compartilhados por diversas empresas. Além disso, por ser especializada, a empresa provedora de data center consegue melhor eficiência operacional, deixando que a contratada foque em sua atividade fim.

Os serviços normalmente diferem em função de diferentes capacidades contratadas, normalmente correlacionadas, como tamanho do espaço em disco para backup, banda trafegada (tráfego enviado aos visitantes quando acessam o site, aplicação etc), bases de dados administradas, dentre outras. Além disso, o gerenciamento dos recursos é feito pelo provedor do serviço, incluindo funcionalidades como backup diário, de forma a garantir a segurança das informações armazenadas e permitir a recuperação em caso de desastres de grandes proporções.

Adicionalmente, por se tratar basicamente de um aluguel de espaço físico extremamente especializado, várias modalidades podem ser praticadas, conforme ilustrado na Figura 2. Nesse exemplo em particular, além do próprio espaço, a oferta do serviço é modulada em função da energia elétrica consumida pelos equipamentos armazenados.

Figura 2 Modalidades de colocation[11]

Cabe destacar a oferta do “cage”, que literalmente é uma jaula, em tese, inexpugnável, protegida por controles rígidos de acesso, muitas vezes biométricos, destinada a guardar equipamentos destinados ao armazenamento de informações de natureza especialmente sensível.

4.2      Hospedagem

A hospedagem em data centers é um serviço de maior valor agregado que o colocation. Além de prover ambiente adequado para implantação de equipamentos de telecomunicações e tecnologia da informação, com confiabilidade, redundância, refrigeração, alimentação e segurança, nessa modalidade de serviço o provedor também fornece os servidores (ou parte deles) para o contratante.

Aqui é permitida uma miríade de combinações possíveis, que toma forma sob diversos nomes fantasia. Pode-se contratar servidores dedicados com um sistema operacional específico em racks exclusivos. Cria-se ambientes de trabalho virtuais acessíveis a partir de qualquer lugar. Pode-se apenas alugar um pequeno espaço em um servidor compartilhado.

A maior vantagem desse modelo de contratação é o investimento inicial, virtualmente nulo. A contratante não tem que se preocupar com peças sobressalentes para manutenção do parque de hardware. No limite, troca-se CAPEX por OPEX.

Essa configuração também permite expansões rápidas da infraestrutura de TI, conforme aumento da demanda.

4.3      Vantagens e desvantagens de cada modelo

A despeito de ambas as modalidades serem fundamentalmente formas distintas de terceirização de atividades de suporte, há casos em que uma é mais adequada que a outra. A Figura 3 ilustra as responsabilidades que permanecem com contratante e contratada, para ambos os casos.

Figura 3 Diferença entra colocation e hospedagem – responsabilidades[12]

Nota-se que, nos modelos “puros”, para hospedagem, o provedor não é responsável apenas pela camada de aplicação, ao passo que no colocation o contratante não é responsável apenas pela infraestrutura física do data center.

Assim, à primeira vista, a opção por contratação de serviços do tipo hospedagem (Hosting) parecem mais adequadas, até mais flexíveis. Entretanto, o modelo de contratação deve adequar-se ao modelo de negócio da contratante, ou seja, deve haver um estudo de viabilidade para que o modelo escolhido seja o mais adequado.

Quando se precisa de hardware específico para um dado tipo de aplicação, ou quando muita banda de rede é necessária, soluções típicas podem deixar de ser vantajosas. Apesar do custo inicial para uma operação em colocation, nesses casos essa pode ser a melhor opção no médio prazo.

Outro caso em que a solução de colocation se mostra mais adequada é quando o cliente tem a necessidade de hospedar conteúdo sensível. E aqui, entenda-se não conteúdo ilegal, mas sim informações que, pela sua natureza não devem sair do controle de quem as detém. Pode haver uma infinidade de razões para isso, mas quando aplicável, essa restrição mostra que é mais adequado optar pelo modelo em colocation.

Se as condições acima não se verificam, ainda assim o cliente deve responder a uma pergunta inicial antes de qualquer tomada de decisão: a organização está pronta ou deseja transferir para um terceiro algum grau de controle sobre sua infraestrutura de TI? Se a resposta para essa pergunta for negativa, nenhum modelo é adequado.

Há situações, entretanto, em que a opção por hospedagem pode ser a mais adequada para a organização. Se esta não dispõe de todo o hardware necessário, ao menos para as demandas relativamente próximas, e não há disponibilidade de capital para fazer frente aos investimentos necessários com a ampliação do parque, então provavelmente fará mais sentido contratar uma solução do tipo “one-stop-shop” com um provedor e transformar o CAPEX em OPEX.

Outro caso em que a hospedagem pode fazer mais sentido diz respeito à administração de pessoal qualificado para operar e manter a infraestrutura de TI adequada às necessidades do negócio. Por se tratar de mão de obra bastante, e cada vez mais, qualificada, em um setor em franca expansão, é cada vez mais difícil atrair e reter profissionais qualificados. Se essa é uma preocupação indesejada ao contratante, a opção por hospedagem pode ser mais adequada.

Paradoxalmente, o que hoje pode ser o modelo mais adequado à organização pode mudar em função do tempo e do crescimento do negócio. De fato, serviços de hospedagem tendem a ser mais adequados para organizações que apresentam rápido crescimento, e portanto a expansão tanto do parque de TI quanto de pessoal adequado a sua operação e manutenção podem representar sérios gargalos. Nesse caso, a flexibilidade do modelo de hospedagem, aliado à vantagem de não se precisar de vultosos investimentos iniciais são pontos positivos difíceis de serem desprezados.

Por outro lado, se investimento no parque de TI e pessoal não é uma restrição, mas espaço físico para crescer essa infraestrutura sim, então o modelo de colocation é uma opção bastante atraente.

Por fim, se a infraestrutura necessária à operação do negócio atingir um determinado nível, e aqui entenda-se o tamanho da operação como um todo, terceirizar essa atividade para um parceiro de negócios pode deixar de ser interessante, tanto numa ótica de eficiência operacional, quanto numa ótica de razoabilidade de custos. Nesse caso, construir seu próprio data center pode ser a solução mais adequada, internalizando novamente uma infraestrutura que eventualmente esteja sob operação de um terceiro.

4.4      Especificações típicas de serviços de colocation

A Tabela 3 apresenta uma relação de especificações típicas de serviços de colocation em data centers.

Tabela 3 Especificações típicas de serviços de colocation

Especificação

Métricas de Custo

Serviços de colocation – modo básico
O serviço corresponde apenas a utilização de infraestrutura física das empresas de data center, como alocação de espaço físico com recursos de alta disponibilidade de energia elétrica, telecomunicações, climatização e conectividade.  Neste modelo o cliente mantém as operações convencionais de administração, manutenção e provisionamento dos servidores e serviços, além de qualquer intervenção física no equipamento como reinício físico, inserção de hardware etc. Este modelo tem como característica o deslocamento do cliente até o local de hospedagem.

Valor calculado através do espaço físico alocado em racks através da métrica de normatização Rack Unit - EIA-310.
Também são considerados elementos físicos, como consumo elétrico, dissipação térmica, utilização de banda para serviços de internet, enlaces dedicados para gerenciamento e administração e necessidade de isolamento dentro das áreas destinadas a este serviço.
Esta modalidade também comporta a alocação de equipamentos de telecomunicações, como rádios micro-ondas, teleportos para comunicação via satélite e outros.

Serviços de colocation – modo help desk
Este modelo contempla as atividades do modo básico tendo como serviço adicional a possibilidade de requisição de ações físicas nos equipamentos hospedados. Neste modelo o cliente poderá solicitar através de ferramenta de gestão de chamados em período de 24x7 ações de manutenção de hardware, interações físicas, alterações e inserções de elementos em serviços e sistemas, utilizando como modelo operacional as ações direcionadas pelo cliente ou utilizando a mão de obra especializada da equipe técnica do data center.
Nesta modalidade o gerenciamento de hardwares e aplicações é executado pelo cliente e qualquer ação deve ser requisitada e autorizada, cabendo ao prestador apenas atuar conforme orientação prévia, geralmente através de procedimentos de gestão de mudança ou qualquer outro documento de referência.

Nesta modalidade além de compreender os custos existentes no modo básico adiciona-se os valores de suporte.

As métricas utilizadas são oriundas a quantidade de chamados contratados, complexidade dos sistemas e aplicações, grau de especialização dos profissionais necessários para determinadas operações e quantidade de área de armazenamento requisitada pelo contratante, além de requisitos de banda.

Serviços de colocation – modo total
Nesta modalidade o cliente transfere a responsabilidade de administração, manutenção e provisionamento de hardware, software e aplicações à empresa prestadora de Data center. Neste modelo o prestador de serviços mantém integralmente as ações proativas para garantia de operações ininterrupta dos serviços, através das atividades de monitoramento, gestão de segurança e planejamento de capacidade. Este modelo difere-se do serviço de helpdesk principalmente nas atividades de gestão de sistemas operacionais, como atualização, reinstalação e definição de parâmetros, além de prover operações de segurança, como inserção de modelos de recuperação de desastres e em alguns fornecedores específicos serviços de análise de vulnerabilidades, podendo ser adquirido como opcional ou integrado a oferta.

Esta modalidade comercial inclui os custos do colocation básico e utiliza como métrica de cálculos de preços a complexidade do sistema alocado, tempos de nível de serviços (SLA) contratados, nível de especialização de equipe técnica de data center e fatores como grau de proteção das informações armazenadas com relação a integridade, confidencialidade e não repudio, além de considerar quantidade de unidades de armazenamento de informações e largura de banda.

Serviços de colocation – modo hibrido
Nesta modalidade o cliente poderá contratar além do modo básico alguns serviços específicos do modo helpdesk e outros do modo total, garantindo assim flexibilidade na aquisição de ofertas e necessidades específicas de serviços e aplicações.

Esta modalidade é comercializada através do modo consultivo, cabendo um estudo de caso pelo data center quando não existe abertura e formatação de custos por determinados serviços únicos. Neste cenário os modos helpdesk e total são formatados através de pacotes de serviços orientados pela similaridade de determinadas aplicações e sistemas, quando a cliente requisita apenas uma parte de cada serviço alguns fornecedores possuem valores unitários para as atividades, outros operam com pacotes. Diante deste cenário as ofertas podem ser montadas através de valores unitários ou venda consultiva.

4.5      Especificações típicas de serviços de hospedagem

A Tabela 4 apresenta uma relação de especificações típicas de serviços de hospedagem em data centers.

Tabela 4 Especificações típicas de serviços de hospedagem

Requisito

Métrica de Custo

Serviços de Hospedagem – Modo Servidores Físicos

Neste modelo o cliente requisita um determinado modelo de hardware para o prestador que fará a aquisição, podendo ser ofertado através de configurações pré-definidas ou específicas para necessidade do cliente e suas aplicações. Neste cenário o cliente pode definir o hardware ou ser orientado pelo prestador qual a melhor opção de equipamento. As características destas atividades englobam além do fornecimento a prestação integrada dos modos de colocation, como helpdesk ou total.

Esta modalidade comercial tem como característica principal a utilização de um hardware físico e dedicado ao cliente, com suporte e manutenção pelo período contratado.

Este fornecimento atende a clientes que tem a necessidade de segmentar fisicamente seus recursos tecnológicos, sendo por necessidade de aderência a conformidades ou por determinado nível de segurança.

Atualmente os padrões de fornecimento incluem como referência quantidade de processadores e núcleos, memória de operação, conjunto de discos de armazenamento e interfaces a outros recursos, como acesso a rede de dados ou de armazenamento.

 Este modelo utiliza como métrica de custo fatores operacionais de gestão financeira do data center, como aquisição via modo leasing, desembolso por meios de instituições financeiras baseados em financiamentos ou recursos próprios de capital de giro das empresas.

Além do custo de aquisição adicionam-se as métricas de colocation básico, mão de obra para suporte e manutenção, índices de depreciação e variações de moedas.

Serviços de Hospedagem – Modo Servidores Virtuais

Este modelo comercial utiliza uma planta instalada de hardware e software para compartilhamento de recursos de infraestrutura de servidores orientados as necessidades dos clientes.

As atividades compreendidas neste modelo compõe a alocação de recursos dinâmicos, podendo ser executadas através de requisições de chamados, como aumento de processadores, memória e outros.

Neste cenário os clientes recebem configurações específicas baseadas em padrões estabelecidos pelos fornecedores, incluindo sistemas operacionais e aplicações homologadas, podendo ser fornecido apenas o hardware virtual e cabendo ao cliente escolher qual sistema operacional utilizar, desde que homologado para atuar em determinada plataforma.

Neste cenário os prestadores utilizam como métrica de custos a subdivisão de recursos já implantados aliados aos índices de rentabilidade estabelecidos pelo serviço.

Além de considerar fatores como reserva de investimentos na planta, depreciação dos elementos, custos de financiamento e leasing e mão de obra especializada para administração, manutenção e provisionamento da planta.

Serviços de Hospedagem – Modo Infraestrutura física

Nesta modalidade o data center oferece os elementos de infraestrutura dedicados para determinados requisitos de projeto, como roteadores, firewalls, IPS comutadores, pabx e outros.

Este serviço tem como característica o modelo de fornecimento de servidores modo físico, tendo como principal diferenciação o estoque de placas e elementos para os equipamentos.

A modalidade de fornecimento de equipamentos também integra as opções de colocation, modo helpdesk e total, cabendo ao prestador a manutenção de equipe especializada para tratamento e ações neste determinado tipo de equipamento, em geral indisponível em alguns clientes.

A métrica de custos utilizada para este modelo assemelha-se ao modo hospedagem físico, diferenciando principalmente pelo grau de especialização de seu corpo técnico em determinadas soluções.

4.6      Provedores de data center atuantes no Brasil

A Tabela 5 apresenta uma relação não exaustiva de provedores de data center que atuam no Brasil, bem como respectiva categoria baseada na classificação do The Uptime Institute.

Tabela 5 Provedores de data center atuantes no Brasil

Provedor

Tier (I, II, III ou IV)

Algar – Empresa nacional com rede de telecomunicações concessionaria no Brasil Central.

Possui data center localizado em Uberlândia e Campinas sem registro de certificação e declaração de uptime.

ALOG – Empresa pertencente ao grupo Equinix e o fundo de investimentos Riverwood Capital. Possui três data centers localizados em São Paulo, Tamboré e Rio de Janeiro atuando com serviços de hospedagem e colocation.

Data center localizado em Tamboré possui certificação Tier III

Ascenty – Empresa de Data center com recentes investimentos no cenário nacional.

Possui Data center localizado em Campinas e Hortolândia com certificação Tier III pelo Uptime Institute

Ativas – Empresa de prestação de serviços em Data center com investimentos recentes no cenário nacional.

Possui Data center localizado em Belo Horizonte com certificação Tier III pelo Uptime Institute.

BT – Operadora de telecomunicações com foco em serviços de redes.

Possui Data center localizado em Hortolândia – SP

Embratel/Claro - Operadora com presença nacional tanto para rede de dados quanto móveis.

Possui data center com certificação Tier III pelo Uptime Institute localizado em São Paulo.

GVT – Operadora de telecom com atuação em serviços no modelo de áreas de autorização

Possui Data centers sem classificação em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro.

HostDime – Empresa americana de hospedagem com atuação no Brasil e em processo de execução de investimentos no setor.

Possui Data center em São Paulo com certificação SAS-70

IBM – Empresa de soluções globais em TI.

Possui Data center em Hortolândia com certificação Uptime Institute Tier III.

Intelig/TIM – Operadora de serviços de telecom com foco em redes e serviços móveis.

Possui Data center com classificação declarada como Tier II

Locaweb – Empresa prestadora de serviços de data center com forte tendência a serviços em nuvem.

Possui 2 data centers no Brasil e declara Tier III através da certificação ISAE3402, porém sem registro no Uptime Institute.

Terremark – Empresa com foco em ponto de troca de tráfego com especialização em serviços de data center.

Possui Data center localizado em Baruei com declaração de uptime de Tier IV

Tivit – Empresa de soluções globais em TI oriunda da optiglobe possui data center em Barueri.

Possui data center e declara classe 5 (99,999% de disponibilidade) através da norma ISAE3402, porém sem registro no Uptime Institute.

UOLDiveo – Empresa resultante da fusão entre UOL provedor de acesso / conteúdo, Diveo, e DHC

Possui Data center em São Paulo, Tamboré e Colombia. O site Tamboré é declarado pelo cliente como Tier III pelo ISAE3402, porém não há referências no Uptime Institute.

Vivo – Operadora com atuação concessionária em serviços de telecomunicações no estado de São Paulo e serviços de Data center

Possui Data center em Barueri com certificações Tier III em construção e design pelo Uptime Institute.

 

5       Conclusões e considerações finais

Este relatório apresentou as características essenciais de empresas de data center, os tipos de serviço por elas prestado e suas características.

A classificação mais utilizada hoje, desenvolvida pelo The Uptime Institute, que categoriza os data centers em Tiers que vão de I a IV, mostra crescentes graus de serviço obtidos à custa de elevados investimentos e custos operacionais crescentes, os quais se projetam nos preços cobrados de seus clientes.

Além disso, diferentes tipos de serviço podem ser contratados, indo da alocação de espaço dedicado ao armazenamento de servidores e equipamentos até a hospedagem e gestão integralmente feitas pela empresa contratada. Tais modalidades de serviço têm suas peculiaridades, e são mais adequadas a diferentes cenários de utilização pela contratada, conforme apresentado.

Paradoxalmente, o que hoje pode ser o modelo mais adequado à organização pode mudar em função do tempo e do crescimento do negócio. Se a infraestrutura necessária à operação do negócio da contratante atingir um determinado tamanho de operação, terceirizar essa atividade pode deixar de ser interessante, tanto numa ótica de eficiência operacional, quanto numa ótica de razoabilidade de custos. Nesse caso, construir seu próprio data center pode ser a solução mais adequada, internalizando novamente uma infraestrutura que eventualmente esteja sob operação de um terceiro.

Seja como for, o contratante deve responder a uma pergunta inicial antes de qualquer tomada de decisão: sua organização está pronta ou deseja transferir para um terceiro algum grau de controle sobre sua infraestrutura de TI? Se a resposta para essa pergunta for negativa, nenhum modelo é adequado.

 

6       Referência bibliográfica

 

ALGAR. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.algar.com.br.

ALOG. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.alog.com.br/.

ASCENTY. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.ascenty.com/.

ATIVAS. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.ativas.com.br.

BT. Acessado em 19 de agosto de 2013. Disponível em http://www.globalservices.bt.com/br/pt/products_subcategory/bt_datacentre_services.

EMBRATEL. Acessado em 19 de agosto de 2013. Disponível em http://portal.embratel.com.br/cloud/.

GVT. Acessado em 19 de agosto de 2013. Disponível em https://www.gvt.com.br/portal/grandesempresas/solucoesdatacenter/.

HOSTDIME. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.hostdime.com.br.

IBM. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.ibm.com.

LEVEL3. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.level3.com/en/solutions/business-need/data-center-networking/.

LOCAWEB. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.locaweb.com.br.

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TERREMARK. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.terremark.com.br/.

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UOLDIVEO. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.uoldiveo.com.br/#rmcl.

VIVO. Acessado em 17 de agosto de 2013. Disponível em http://www.vivo.com.br.

 



[1] Adaptados de “Data Center Site Infrastructure Tier Standard: Topology”, de Uptime Institute, LCC.

[2] Adaptado de http://lautankencana.com/data-center-solutions, e http://en.wikipedia.org/wiki/Uptime_Institute, acessado em 14 de agosto de 2013.

[3] CAPEX vem de Capital Expenditure, que corresponde a investimento em bens de capital, ao passo que OPEX corresponde a Operational Expenditure, que vem a ser o capital empregado para manter em operação os bens ou serviços da organização.

[4] Adaptados de “Data Center Site Infrastructure Tier Standard: Topology”, de Uptime Institute, LCC.

[5] Uninterruptible Power Supply, fonte de alimentação ininterrupta, em inglês.

[6] Adaptado de http://datacenter10.blogspot.com.br/2009/01/classificao-dos-datacenters-tia-942.html, acessado em 13 de agosto de 2013.

[7] Tempo que o sistema não está operacional.

[8] Site auto-sustentável.

[9] Alta Tolerância a Falhas.

[10] Adaptado de http://lautankencana.com/data-center-solutions, e http://en.wikipedia.org/wiki/Uptime_Institute, acessado em 14 de agosto de 2013.

[11] Disponível em http://www.alog.com.br/wp-content/uploads/2011/12/colocation_premium_pt.pdf, acessado em 15 de agosto de 2013.

[12] Disponível em http://www.internap.com/wp-content/uploads/Colocation-Versus-Managed-Hosting.pdf, acessado em 16 de agosto de 2013.